‘Naninhas’ feitas em Patchwork para crianças de Camboriú

0

Que venha 2020 com bons sonhos para as crianças especiais e carentes de Camboriú, em Santa Catarina!

Certamente esse é desejo de Laura Helena Bertolazzi quando confecciona os pequenos travesseiros decorados, com a ajuda de um grupo de amigas e voluntárias. Este ano as costuras começaram em março para encerrar com uma produção de 738 ‘naninhas’ que foram entregues às instituições de caridade, sobretudo para crianças com Sindrome de Down na periferia da cidade.

 

As doações são feitas no período do Natal com direito a Papai Noel e muita alegria. Laura é artista e tem um ateliê de Patwork. Iniciou esse trabalho social há muitos anos, no período em que atuou como Diretora de Cultura da Prefeitura de Camboriú.  No começo confeccionava bonecas, mas exigiu muito material e o custo era alto.

Não recuou em sua ideia de promover algo que alegrasse crianças no final do ano. Foi quando experimentou  fazer pequenos travesseiros com motivos lúdicos. A iniciativa deu tão certo que  a cada dia aumenta o número de crianças que fazem parte do projeto.

A iniciativa de Laura é mais um exemplo de como o ‘olhar para o outro’ transforma uma comunidade e o amor ao próximo é gratificante tanto para quem recebe como para quem pratica a caridade.  “Quando cheguei há 27 anos, as famílias que viviam na periferia nem sabiam o que era vacina”, lembra, conta que ficou muito chocada na época, a partir daí decidiu oferecer a eles o seu conhecimento.

Solidariedade

Laura é gaúcha e quando morava no Rio Grande do Sul tinha um padrão de vida totalmente diferente de quando chegou em Camboriú, com a finalidade de recomeçar a vida. Seu marido tinha uma empresa que foi à falência no RS e por questões financeiras a família decidiu viver numa cidade menor e num outro estilo de vida. “Quando saí de minha cidade vivia numa outra realidade social. Tinha muito dinheiro e uma vida fútil”.

Esta gaúcha que hoje tem o coração sediado em Santa Catarina não se arrepende da mudança. Apesar da simplicidade das pessoas que encontrou na cidade de Camboriú e o choque pela forma como essas pessoas viviam, crianças descalças, sem vacinas ou assistência básica de saúde, Laura foi acolhida por este povo num momento muito difícil de sua vida.

“A primeira parada foi no balneário de Camboriú com a família – meu marido e dois filhos. Ali vivi 40 dias e não nos acostumamos com o tumulto. Um amigo tinha uma chácara e nos ofereceu para morar na cidade de Camboriú, que é separada do local das praias. Nesta cidade permaneci até hoje, criei meus filhos e construí muito com meu trabalho na prefeitura porque me apaixonei por essa gente humilde, porém sempre muito solidária”.

Não existe vazio existencial quando lidamos com arte na vida. Isto é, o olhar criativo e cheio de esperança abre espaço para novas oportunidades. Laura Helena Bertolazzi ficou viúva a pouco menos de dois anos, seus filhos já adultos estão vivendo fora, mas ela não pensa em deixar Camboriú.

Um feliz 2020 aos leitores de OContrato com muitos projetos e bons sonhos!

 

 

 

 

Share.

About Author

Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

Leave A Reply

três × 4 =